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Política RENUNCIA

Professores e técnicos renunciam ao cargo no Grupo de Apoio Técnico do Plano Diretor de Goiás

O anúncio da renúncia coletiva foi feito na última sexta-feira

16/11/2021 15h34 Atualizada há 2 meses
Por: Simone Borges
Professores e técnicos renunciam ao cargo no Grupo de Apoio Técnico do Plano Diretor de Goiás

O Observatório Popular do Plano Diretor Participativo do Município de Goiás apresentou, na última semana, cartas de professores e técnicos da Universidade Federal de Goiás (UFG – Câmpus Goiás), Universidade Estadual de Goiás (UEG – Câmpus Goiás), Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFG – Câmpus Cidade de Goiás) e da Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB - Seção Goyaz) renunciando ao cargo de representantes de suas instituições no Grupo de Apoio Técnico do Plano Diretor do Município de Goiás.

 

Segundo carta da UFG, a razão da renúncia “dá-se pela total ausência de retorno e total descompromisso da gestão pública municipal responsável pelo Plano Diretor de Goiás, mediante as efetivas participações sobre o tema, em audiências públicas, reuniões e produtos propostos por este grupo, que não recebem aceite por parte da gestão pública municipal”.

 

“Nós entendemos que a elaboração de um Plano Diretor necessita de transparência. Saber de forma consciente quais os passos a serem dados. Por isso, o diálogo sobre a metodologia é importante. Da forma em que está sendo feito, não há essa transparência. O risco que se corre na manutenção da forma em que está sendo feito é de se ter um plano diretor com diagnósticos insuficientes e que, por consequente, tenha prognóstico inadequado”, disse o geógrafo Robson de Sousa Moraes, que é professor e pesquisador da UEG.

 

De acordo com José do Carmo Siqueira, professor do Curso de Direito da UFG e assessor jurídico da Prefeitura de Goiás, a decisão dos representantes pela renúncia coletiva foi uma infeliz surpresa para a Prefeitura. “Completamente não esperada. Eu, também, represento a UFG na Comissão Técnica Ampliada e não renunciei”, pontuou.

 

Ainda sobre a renúncia, o professor José do Carmo afirmou que a Prefeitura já agendou uma reunião presencial com as direções locais das instituições de educação e também com a AGB para tratar esse fato. Ela está prevista para acontecer nesta quinta-feira, 18 de novembro.

 

Consequências

A falta do Plano Diretor, ou sua má execução, pode trazer sérias consequências para a cidade e a população. Segundo explica o geógrafo Robson de Sousa Moraes, “todos os problemas desencadeados por essa situação são, depois, transferidos para o poder público que terá, com dinheiro público, que resolver o problema. Para a população, caso não seja realizado uma drenagem adequada, vai ter infiltração (problema comum em nossa cidade) em suas casas, ou sofrer com alagamentos, o que também já acontece”.

 

E ele alerta para o risco maior no município, que é a cheia do Rio Vermelho. “Todas as obras necessárias para se evitar que a enchente ocorra, já são conhecidas desde 2001. No entanto, nenhuma gestão municipal, até agora, implementou as ações necessárias. É uma espécie de desastre anunciado”, destacou.

 

O geógrafo explica que, em uma boa execução do Plano Diretor, “o diagnóstico (etapa estabelecida após a definição de metodologia) é uma combinação de dados desenvolvidos por técnicos (arquitetos, geógrafos, sociólogos etc) e a leitura comunitária (população). A leitura comunitária é realizada após a execução de um conjunto de oficinas preparatórias. Nestas oficinas, se apresenta a ideia do que é um plano diretor, qual seu papel, quais são as partes que compõem um plano diretor etc”. E completa: “Nada disso está sendo realizado”. 

 

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